Você, humano. Sim, você mesmo. Você deve urgentemente transpor velhas barreiras e vencer as aparências.
Quando vocês dizem "todos somos de uma única raça, a humana" - recapitulando as palavras utilizadas por um certo Einstein na papelada que preencheu ao exilar-se nos EUA (Raça?, lhe perguntaram; "HUMANA", ele escreveu) - deixam subentendido que a cor da pele, o sexo, a crença, toda e qualquer diferença da individualidade, são detalhes humanos e, como detalhes, estão inseridos no conceito de HUMANO, mas não podem superá-lo.
Isso, se não sabe, é ontológico e, sendo ontológico, está na base, na raiz da questão.
Significa dizer que um "negro" ou um "branco" não é (essencialmente) um negro ou um branco, porque cor de pele não define a sua humanidade; e sim, que ele É UM HOMEM e que a cor da sua pele é escura ou clara. Significa dizer que uma lésbica não é uma lésbica, porque o que ela faz com o seu sexo não define sua humanidade; e sim que ela É UMA MULHER e que a sua orientação sexual, quando perguntado, é 'homossexual'.
Significa dizer, enfim, o que uma criança humana é capaz de entender à perfeição:
Que todos vocês são HUMANOS e, sendo humanos, TODOS têm os mesmos direitos humanos.
No dia em que compreenderem essa simples verdade, toda e qualquer separação deixará de existir, porque de obsoletas.
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29 de janeiro de 2014
No editorial do jornal pangaláctico de hoje...
24 de março de 2013
Strange world forever
Diziam, nos círculos da moda, que a galinha atravessou a rua não apenas para chegar do outro lado, mas para provar ao galo que ela, mesmo sendo fêmea, portanto tida com inferior pela cultura machista, é tão capaz quanto ele de atingir o mesmo objetivo, provando ao macho que há igualdade entre os sexos.No último andar do firmamento, um ovo estelar se perguntava onde fora parar a grafia simples do conceito físico-mecânico da galinha atravessando a rua para chegar ao outro lado, porque quis se tornar o centro de uma piada de unidades aristotélicas pueris. E assim, pensava o ovo, foi-se pelo ralo a piada. E a galinha, que poderia ser um galo aviltado em sua masculinidade devido ao excesso de hormônios femininos, que não pediu mas aceitou, desistirá de chegar ao outro lado. Porque viu que tanto lá como cá, a ordem dos fatores não altera a mentalidade. Agora a galinha apenas observa o espaço. Tornou-se astrônoma: fica a contemplar, do deserto que adotou como lar terreno, os muitos sóis e planetas dentro de si.
24 de outubro de 2012
Delirismos de consumo humanista de um super ego pós-moderno
-
O que é isso que você está lendo?
-
Uma nota de rodapé.
-
O que ela diz?
-
Que o feminismo é o extremo oposto do machismo. Preceitua, de forma ampla e
abrangente, a isonomia dos direitos entre homens e mulheres. Direitos iguais
para ambos os sexos, sem distinção...
-
Mas não é relativo?
-
Qual parte?
-
Direitos iguais para todos, indistantamente. Digo, direitos iguais sob o ponto
de vista de qual dos lados? Um exemplo: alistamento militar. Homens
obrigatoriamente se alistam; mulheres, não. Nesse caso, para efeitos de
isonomia, o que valeria? O homem ter o direito de recusar o serviço militar, ou
a obrigação da mulher de se alistar?
-
Se homens ganham melhor que mulheres, desenvolvendo o mesmo tipo de
função e com o mesmo nível de capacitação profissional, o que seria justo para
ambos? Diminuir o salário do homem para equiparar-se ao da mulher, ou aumentar
o salário da mulher para equipar-se ao do homem?
-
Dar o estritamente justo de acordo com a função desenvolvida e a capacidade
profissional, sem distinções.
-
Ou seja, aumentar o salário da mulher para equivaler ao do homem, no desempenho
do mesmo cargo, função ou ocupação.
-
... E o alistamento obrigatório seria opcional. Não por ser menos machista ou
mais feminista, mas por ser o estritamente justo para ambos.
-
Isso seria "isonomizar": encontrar o denominador comum entre os
extremo, aquilo que se aplica na mesma proporção que se aplica ao outro.
-
Mas e quanto às diferenças substanciais entre os sexos?
-
Se refere ao psicossoma? Distinções orgânicas e psíquicas entre homens e
mulheres?
-
Exato. Elas não contam?
-
É aí que entra a 'relatividade' da aplicação do que é justo, pois a justiça
trata igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na proporção da sua
desigualdade. Trocando em miúdos, homens e mulheres são humanos e nisso
consiste o seu maior denominador comum, porém possuem diferenças elementares de
ordem orgânica e psíquica, que, por sua vez, influenciam a sua formação
cultural. Essas diferenças são consideradas, porque também elas fazem parte de
cada homem e de cada mulher.
-
O que está me dizendo é que a "isonomização" dos direitos trabalha em
duas frentes: equipara homem e mulher, mas não descarta individualidade, com
toda a sua teia de singularidades.
-
Holístico, não? Veja, quando falamos da igualdade de direitos, falamos
necessariamente de uma perspectiva universalista. Tome por axioma o nosso
universo. Ele é um conjunto de coisas visíveis e invisíveis. O fato dessas
coisas se diferenciarem umas das outras pela própria individualidade não torna
o universo menos universo, e sim o confirma. Agora imagine: um belo dia, nosso
universo se depara com outro universo e vê nele coisas diferentes das suas.
Porém, por saber-se universo e entender que o outro também é universo, nosso
universo compreenderá que essa diferença de coisas não o torna melhor ou pior
que o outro. São universos, em sua conjuntura. Universos de coisas diferentes,
em sua individualidade.
-
O mesmo se aplica ao homem.
-
A mulher.
-
... A essa bifurcação de mão dupla que chamamos de humano.
4 de outubro de 2012
Le déterminisme et le caractère inévitable
- Sabe qual é o seu
problema?
- Não. Me diga:
qual é o meu problema?
- Essa sua atitude
despreocupada. Você não se previne contra o que se pode perfeitamente
evitar.
- Só porque não
saio de casa com meu kit de "prevenção de incidentes"? Guarda-chuva,
protetor solar...
- Não custa ser
prevenido. Pode se evitar muita coisa, você sabe.
- Como da última
vez que você acertou em levar o guarda-chuva, mas não contava com a ventania.
Se soubesse que ficaria na chuva com o cabo do guarda-chuva na mão, teria
lembrado de levar a capa?
- Foi uma
fatalidade.
- A isso me refiro.
Fatalidade e controle. Merdas acontecem, independentemente do controle que,
eventualmente, mas não irrestritamente, tenhamos sobre nossas escolhas.
- Mas não custa se
prevenir. Veja, por exemplo, uma pessoa que sai à noite e toma um atalho escuro
e isolado, para encurtar o trajeto. Ela deveria calcular os ricos, ter a noção
de que por ali o perigo de sofrer uma agressão é maior do que se tomasse o
caminho mais longo, porém menos arriscado. Se ela for assaltada, estuprada ou
morta...
- A culpa será
dela?
- Não foi isso que
eu quis dizer. Chame de "causa e efeito": a não prevenção...
- Provocou a
agressão? Vê lá o que você diz...
- Vejo se você me
deixar dizer. Refiro-me à consequências. No caso, à incidência da consequência
sobre a inconsequência de tomar atalhos escuros e isolados, sabendo que se deve
evita-los.
- Entendo o que são
"riscos calculados", o que implicam e a que se aplicam. Estimar
possibilidades em situações hipoteticamente prováveis ajudam a prevenir
"acidentes de percurso". Mas se aplicam com sucesso aos incidentes,
às fatalidades sobre as quais não se tem controle? Já que estamos falando de
"crime e castigo", partindo do exemplo que você deu... onde fica a
inconsequência da pessoa que opta fazer o percurso seguro e mesmo assim se
torna vítima de um crime? O que ela "provocou" com a sua atitude
consequente?
- Não se trata de
"erro e punição", a vítima não ocasionou o crime. Trata-se apenas de
ver os riscos e assumi-los como possíveis e, dependendo da situação, prováveis.
- Não ocasionou,
mas, de certa forma, contribuiu, não? Ao correr os riscos por desatenção,
imprudência ou negligência, tornou-se omissa com sua segurança. Sua omissão
tornou-a um alvo fácil. Embora eu esteja de acordo com o "calcular
riscos", também não descarto o "merdas acontecem". O que me
lembra a manipulação da idéia...
- Qual delas?
- O argumento
"consequência da inconsequência" é relativo.
- Concordo. Se
aplica a cada caso, segundo sua natureza e singularidades. Achei que estivesse
implícito.
- Para os
esclarecidos, sim. Para a maioria dominante, não. Todo cuidado é pouco. Um
desvio de argumentação, apenas, para o argumento em questão servir de pano de
fundo para o discurso falacioso sobre "quem tem mais culpa, a vítima ou
criminoso?".
- Do tipo: "Mulher
que sai na rua "vestida como vagabunda" está pedindo pra ser
estuprada!"; "Saiu de casa com shortinho alegando calor? Sem
problema: se receber cantada obscena, ouvir piadinha sacana e for apalpada na
rua, não venha reclamar."...?
- Touché! "É bonita? Vá se preparando pros avanços. Mas quem mandou ser bonita? Homens não se contém!"... A isso chamam "fatalidade". Afinal, "foge ao controle", não?
- E
"fatalidades" assim acontecem o tempo todo. "Eu não pude
evitar, foi mais forte que eu. Ela sentava no meu colo... me provocava, seo
delegado..."; "O senhor entende o que diz? A sua filha de 7 anos de
idade senta no seu colo e a isso o senhor chama de "provocação
sexual?"...
- E a
"consequência da inconsequência" de se nascer negro? "Sua cor
está pedindo pra apanhar!". Culpa deles, afinal: deveriam ter
calculado os riscos genéticos antes de nascerem.
- "Deus fez
homem e mulher, não homem e homem, ou mulher e mulher. Não fez homem para ser
mulher, nem mulher para ser homem. Quem vai contra isso é aberração. Está
pedindo para ser execrado e receber a devida punição."
- "Culpa do
homossexual, ora! Por que não se "preveniu" de ser assim?"
- "Agora
aguente a "fatalidade" da sua "desorientação sexual"."
- Certos riscos são
tão fatais quanto preveníveis.
- Ei! Estamos
falando do homem em relação aos da própria espécie. Acha que seria diferente?
- Se o homem for um
risco calculado, quiçá. Mas me inclino à 'fatalité'.
- Sei. "Merdas
acontecem"?
- O tempo todo - homens acontecem.
26 de setembro de 2012
Ser ou não ser QI
Quem
é mais inteligente? O homem ou a mulher?
Numa
escala de 10 perguntas fúteis do século, essa ficaria entre as cinco primeiras
- perdendo, apenas, para "Quem é o melhor?", "Quem é o melhor no
sexo?", Quem é o melhor no sexo, na vida, no universo e em tudo
mais?", e, claro, a experta "Quem é o melhor de 4?" (não é cabulosa,
não, é só a quinta pergunta fazendo referência às quatro anteriores)".
Mas,
enfim, os problemas da raça humana acabaram, ou, ao menos, metade deles, já que
a outra metade pode se sentir ameaçada. A metade em questão é constituída por
espécimes do gênero homo sapiens masculino. O grande motivo? Mais uma pesquisa
científica 'psico-comportamental' realizada pelo professor James Flynn,
especialista em "corte e colagem" e análise de QIs, da Universidade
de Otago, na Nova Zelândia. Porém, não só "mais uma pesquisa", e sim
"A" pesquisa, já que relatou algo inaudito em mais de 100 anos de
vacuidade humana: pela primeira vez na história da quociência intelectiva, as
mulheres passaram a registrar, em média, melhores resultados que os homens nos
testes de QI - aquele conjunto de perguntas estimativas, utilizadas para
"medir" o nível de intelecto.
O
professor aplicou testes de Raven (que põe a lógica à prova) em mais de cinco
mil homens e mulheres, a maioria adolescentes com idade física (e mental) de 15
a 18 anos, em países de quatro continentes (América do
Norte; América do Sul, com Argentina; Europa Setentrional, com Estônia; a
Oceania, com Nova Zelândia; e Europa Ocidental), excetuando (a quem interessar possa) a Ásia, e publicizou sem medo: o
quadro situacional de QI, em que homens eram historicamente maioria e maiorais,
parece estar mudando, tendo sido registrado um número maior de mulheres com QI
superior ao dos homens (no teste, as "cobaias fêmeas" alcançaram
resultados acima da média masculina). Ao que parece, um fenômeno
psico-antropológico "universal", já que todos os países envolvidos na
experimentação apresentaram resultados semelhantes.
Agora
vamos ao realismo a que muitos evitam, valendo-se de visões falaciosas do
tipo "homens são melhores" ou "mulhers são mais":
longe de contribuir para a sempre cada vez mais improdutiva guerra dos sexos,
tal resultado será melhor aproveitado se analisado teleologicamente, com o
cruzamento dos fatores históricos, antropológicos (aspectos biológicos,
culturais e sociais) e psicológicos. Nas palavras do professor Flynn, "É
a consequência da modernidade". E tem lá sua razão, o bom Flynn: desde
a implementação dos testes de QI, em 1905, os homens, que historicamente
tiveram liberdade quase irrestrita e melhores condições de explorar, desafiar e
alimentar o potencial intelectivo, estavam muito à frente das mulheres, as quais,
por questões culturais de gênero, foram condicionadas ao ostracismo intelectual
(aprendendo, com o tempo, a acomodar-se à idéia), desempenhando o papel social
de mantenedoras, deixando, exclusivamente, ao homem a função de produtor.
Contudo,
isso começou a mudar, praticamente em progressão geométrica, ao longo dos
anos, devido a uma série de fatores (a expansão, dinamização e crises
econômicas convergindo em necessidades e exigências de mercado, sendo uma
delas, talvez a maior, uma vez que interfere e co-relaciona-se aos demais
aspectos).
O
"bum" definitivo ocorreu no pós-segunda guerra mundial, época em que
a mulher marcava de vez a sua entrada irrevogável no mercado de trabalho, e não
só nele - universidades, centros de pesquisa, cargos de representação política,
sindicatos, indústria e comércio, entre outros espaços até então ocupados por
homens, passavam a receber e a recrutar mulheres cada vez mais. Curiosamente
(ou não), foi justamente a partir dessa época que a diferença de QIs entre
homens e mulheres começou a ser observada.
Nesses
moldes, como fica a pergunta "quem é mais inteligente?" O homem, que
divide o currículo entre atrocidades históricas conhecidas e a autoria de praticamente todos os avanços científicos e tecnológicos
(descontando as mulheres singulares que fizeram história nas ciências, remando contra o sistema, contando apenas consigo mesmas)? Ou a mulher, que,
graças às oportunidades educacionais e laborais (pelas quais lutou), tem, finalmente, a liberdade
de se mostrar imersiva, dedutiva, criativa e dinâmica, e de explorar os seus
limites intelectivos, embora menos voltada às ciências exatas que o homem?
Ou
talvez, seja uma simples questão matemática e filosófica de UNIDADE: o
resultado é a soma dos fatores e o potencial criativo-transformador de ambos
gêneros se associa, em nome da sagrada sobrevivência humana e melhores
condições de vida - indistintamente.
Aventure-se (?):
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