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1 de março de 2014

Todo dia é dia de Juno



(Nalgum lugar de uma timeline qualquer)

"Não me entenda mal, é digno e bravíssimo da parte da atriz Ellen Page se "desmascarar" para o mundo, assumindo em público,diante de refletores e bochichos, a sua homossexualidade.
Porém, oxalá chegue (logo) o dia em que ninguém, homem e mulher, precisará se "assumir" em SUA orientação, "desmascarando" a SUA intimidade como um desabafo, um protesto, como um ato de rebeldia ao revelar um segredo "sujo" que se mantém às custas da própria identidade.

Triste mundo esse em que a identidade de alguém é motivo de vergonha para outro. Triste realidade essa em que algo tão pessoal, tão sacramente íntimo e individual, ainda seja tratado com tamanho escândalo, como se de um leviatã se tratasse.

Oxalá, chegue o dia em que nenhum HUMANO, homem e mulher, sentir-se-á coagido pela cultura mental de sua sociedade a ir a público dizer, nas entrelinhas, "Mea culpa por ser como sou. Por favor, não se escandalizem, é o único que peço!"

Queira o homem que sim."





26 de fevereiro de 2014

Nepau, Nepedra, Neofimdocaminho




Filhinho, filhinha, saiba, primeiro, que todos e cada um dos direitos constitucionais, dos fundamentais aos derivados, nascem dessa coisa "abominável" chamada DIREITOS HUMANOS.

O direito a uma vida digna, o direito à liberdade de expressão, à privacidade, o direito à função social da propriedade, o direito ao emprego e ao trabalho, o direito às férias, o direito à previdência, o direito à assistência social, o direito à saúde, à educação, o direito à associar-se pacificamente para manifestar-se contra o que há, o direito à greve, o direito a um meio ambiente saudável (embora, capitalisticamente impossível de conciliar, sejamos conscientes), o direito do consumidor, e mesmo o direito a ter direito a uma defesa caso você ou seu herdeiro cometa um deslize de conduta socialmente intolerado (afinal, atire a primeira quem nunca errou ou que não é passível de futuramente errar), enfim, todos os direitos humanos de primeira a quarta geração são o que, até hoje, garantem basicamente TUDO o que de bom ainda se tem, legalmente falando.

Direitos esses, aliás, que seus avós e seus pais LUTARAM para que VOCÊ pudesse usufruir, vá lá, de uma vida MENOS FODIDA. Direitos esses que, oh céus, não vemos sofrer alterações por iniciativa da nova geração - sinal de que são muito, muito, muito "ruins", não?

Até quando confundir direito humano com "conivência ao crime", quando todos nós, TODOS, somos moralmente responsáveis pelo LIXO de degredo e desumanidade que se amontoa aos milhões? Nós e nossa OMISSÃO, coisa até pior que uma ação direta lesiva, especialmente quando se tem a consciência do errado e do que se fazer para impedir ou atenuar os danos e investir em reais melhorias.

Não filhinhos, É O CARÁTER humano que precisa, urgentemente, de reparos, não aquilo que de mais nobre, em direito, o homem, levado por seu aprendizado histórico, criou de olho no futuro. Futuro que hoje é presente, presente que vai para o aterro sanitário de uma terrível regressão que eu restrinjo-me a chamar de "intelecto-moral".

Agora assim, se a moral desse "novo" miserável mundo de merda é detonar geral com cada coisa frutífera já construída, então VAMO BOTÁ PRA FUDÊ de uma vez por todas! Chega de lenga-lenga, de latideira de poodle, se é pra mudar, pro mal ou pro bem, vamo logo com isso! Tá bom de voltar aos tempos de velho oeste americano, não? Todo mundo armado, "brincando" de paintball, só que com balas de verdade.

Eu sou a favor.
Agora o bom é que ninguém mais se habilita.

17 de janeiro de 2014

Mirror, mirror...



Para ver a tirinha no tamanho original, clique na imagem.


E no rodapé uma outra tirinha, onde: 

1. o pastor homofóbico e racista é salvo por um médico gay, assessorado por uma enfermeira negra e um anestesista ateu;


2. a apresentadora de tv "neoconservadora" (WTF é esse neologismo, afinal?) é resgatada por uma prostituta, um mendigo e um manifestante de um estupro coletivo cometido por playboys, filhinhos de empresários da raça ariana;
 

3. o político conservador homofóbico recebe os primeiros socorros de um ateu gay, o tratamento que o impedirá de morrer, de uma feminista lésbica, e o conforto espiritual de um transexual puto...

... puto por ter-se criado a mais absurda ironia, sem agregar à ela nenhum elemento cômico.

22 de agosto de 2013

ISO, ISO, ISO!




Todos fazemos parte de uma só raça: a humana. Logo, sendo humanos, somos iguais por natureza. Sendo iguais por natureza, por derivação, devemos ser tratados iguais em nossos direitos e deveres. Porém, essa igualdade não é cartesiana, ela é proporcional. Para quem pensa a igualdade 'cartesianamente', os que não possuem algum tipo de vantagem (física, mental, social, etc) são equiparados aos que possuem. É como naquele exemplo em que três pessoas estão de pé, de frente a uma cerca, tentando assistir a um jogo. O primeiro é alto e consegue ver por sobre a cerca, o segundo tem estatura mediana e não visualiza bem e o terceiro, por ser baixo, não enxerga nada. Os que interpretam a igualdade entre os desiguais como algo "linear" (nesses tempos de relatividade, em que a própria linha temporal ganhou curvas atraentes), assumirão como justo dar as três pessoas, três caixotes de mesma altura, onde: quem já é alto, fica maior; quem é mediano, fica alto; e quem é baixo, fica na média. Já os que pensam a igualdade 'proporcionalmente', dirão que a forma mais justa de dar aos desiguais um nivelamento isonômico é dar a cada um o seu equivalente: ao menor deles, a maior elevação; ao mediano, a menor delas; e ao maior, que enxerga por sobre a cerca, nenhuma. Disso se faz a igualdade, de cada parte desigual, como as peças de um quebra-cabeça que, unidas por suas individualidades combinatórias, espelham a isonomia do todo.

20 de junho de 2013

Até que cordeiros se tornem leões








"Existe um perigo. Não se apaixonem por vocês mesmos. Estamos nos divertindo aqui, mas lembrem-se: carnavais vêm fácil. O que importa é o dia seguinte, quando temos que voltar para vidas normais. Haverá alguma mudança? Eu não quero que vocês se lembrem desses dias, sabe, como “oh, éramos jovens e foi lindo”. Lembrem-se que nossa mensagem básica é “é permitido pensar sobre as alternativas.” (…) Existem questões realmente difíceis que nos confrontam. Nós sabemos o que não queremos. Mas o que queremos? Que organização social pode substituir o capitalismo? Que tipo de novos líderes nós queremos? Lembrem-se, o problema não é a corrupção ou a ganância, o problema é o sistema. Ele te força a ser corrupto. Cuidado não apenas com os inimigos, mas também com falsos amigos que já estão trabalhando para diluir esse processo. Do mesmo jeito que você pode ter café sem cafeína, cerveja sem álcool, sorvete sem gordura, eles vão tentar transformar isso num inofensivo protesto moral. Um protesto descafeinado."

(Slavoj Žižek at Occupy Wall Street)
 


- "Que organização social pode substituir o capitalismo? Que tipo de novos líderes queremos?" Você também sente, não é? O "aperto" e ao mesmo tempo aquele comichão que desespera feito um louco dizendo a toda hora: PRA ONDE VAMOS DAQUI?! PRA ONDE VAMOS DAQUI?!"

- Sim, esse "aperto" é global. Países que ninguém talvez tenha cogitado no passado se tornarem "rebeldes", como a Turquia e o Egito... simplesmente viraram a mesa e gostaram da sensação. Cresce a insatisfação até mesmo entre estadunidenses e hoje, mais que nunca, começam a questionar entre si um pouco a cada vez: "O QUE, MERDA, ESTAMOS FAZENDO AFINAL CONOSCO... COM O MUNDO?!"

- Qual o resultado disso tudo? Consegue divisar?

- Francamente? Só sei o que quero pra mim. Não consigo visualizar esse todo dentro de como eu quero as coisas pra mim. Talvez por isso também eu entoe o discurso de que "é mudando o homem que se mudará o mundo". O mundo é grande demais... o homem é um bom começo. Mas...

- Mas?

- Objetivamente, a concretude dos fatos falará por si. Subjetivamente, talvez resulte em algo mais... um tipo de "quebra de inércia" que, por mais "fogo de palha" que possa ser, segundo uns, reverbera não só na história mas na memória particular e de grupo. Foi, de qualquer forma, uma sacudida, e talvez seja disso que precisamos: de sacolejos esporádicos. Quando até mesmo os sonhos apodrecem... qualquer movimento dado pela alma é bem vindo.Talvez, e só talvez... seja o subjetivo coletivo, mais que o objetivo, o grande necessitado. A própria auto-estima agradece. 

- Isso dá um ensaio psico-comportamental e filosófico imenso. Mas objetivamente também vale lembrar: quando pessoas-cotidiano se dão ao "trabalho" de, pelo menos, questionar e, uma vez enxergando mais longe por se permitirem voar mais alto, conspiram um plano conspiratório contra 'a conspiração sistêmica'... isso é bom.

- Oh, sim, isso é bom! Na falta de algo melhor, o corpo e a mente agradecem o 'movimento'. Para o Alto e Avante!