É comum crescer
ouvindo estereótipos racistas do tipo "preto quando não caga na entrada,
caga na saída, e quando não caga na saída, deixa um bilhete dizendo
"Cagarei depois". É comum crescer em ambientes familiar e escolar
eivados de idéias e atitudes racistas. Ei, estamos no Brasil! Um dos países mais
machistas, homofóbicos e racistas do mundo.
A criança não-negra cresce alimentada por pensamentos e comportamentos
racistas, que de tão incorporados no modus vivendi da sociedade brasileira,
viram rotina; e a criança negra cresce condicionada pelo comportamento social a
ter aversão de seu biótipo e a odiar a si mesma por ser, externamente, quem é
aos olhos de um mundo racista: um ser estigmatizado com atributos que o tornam
inferior em relação aos de sua RAÇA HUMANA.
Sim, porque é isso o que somos, uma só raça, com biótipos diferentes. Einstein
estava certo, e o tempo confirmou.
Então, você me pergunta se a aversão/restrição a negros o torna ruim, ao
que eu digo: melhor não torna.
A aversão poderia transforma-lo em criminoso, se, tomado pelo sentimento racista,
você prejudicasse alguém em razão de sua negritude.
Enquanto o racismo for um sentimento desconstrutivo mantido nas rédeas do
auto-controle, não passará de um "pré-julgamento errôneo de foro
íntimo". O ideal, no entanto, é trabalhar em si mesmo a desconstrução do
racismo. A partir do momento em que deixamos para trás a condição de crianças,
orientadas pela cabeça e conduzidas pelas mãos dos adultos, conquistamos o
direito de pensar e de agir por nós mesmos bem como a responsabilidade sobre
nossos pensamentos e ações. Se crescemos ouvindo comentários racistas e vendo
práticas racistas, ao ponto de introjetarmos o sentimento de aversão, e se,
mesmo quando adultos conscientes dos próprios atos, damos continuidade a esses
velhos hábitos, embora sabendo que são ruins, a conclusão é mais que óbvia:
passamos de vítimas a cúmplices.
O fato é: se
sabemos que estamos equivocados, por que perseverar no erro, afinal?
Identidades podem
ser desconstruídas. A de um racista está entre elas.
Boa vontade,
esclarecimento, condicionamento mental e envolvimento com a realidade
sócio-cultural negra (e com seus problemas e necessidades) são a
"mais-valia" da formação de boas práticas de inclusão das
diversidades. Como dizem os mestres yogis: Pratique, preocupe-se com a teoria
depois.